Imaginário
Partindo dos estudos críticos do espaço de Henri Lefebvre, o artigo de Brais Freire analisa como a diáspora galega em Barakaldo transformou o bairro de Arteagabeitia num “espaço vivido” de resistência cultural e afetiva. A comunidade migrante galega, através da cooperação, da toponímia e da vida quotidiana, inscreveu a sua identidade na paisagem urbana basca, revelando o poder político do território como lugar de pertença e continuidade cultural.
O filólogo Alberte Pagán, tradutor dos dous primeiros capítulos de Finnegans Wake ao galego, mergulha-se na prosa fluída de 'Anna Livia Plurabelle', o seu capítulo mais famoso, para trazer à tona dúzias de hidrónimos galegos nunca antes identificados.
A Moura, personagem único na nossa literatura oral, foi submetida a uma grande variedade de estratégias de manipulação, mesmo em períodos de exaltação da cultura popular. Alba Rodríguez Saavedra identifica-as neste artigo para continuar reivindicando a relevância de uma figura extraordinária.
As cantareiras e a poesia popular oral protagonizam este ano a homenagem da RAG pelas Letras Galegas. sér vales explora a instrumentalização histórica do “folclore” no processo de construção cultural da nação e a sobrevivência do discurso folclorístico e das suas premissas essencialistas nas representações do galeguismo institucional contemporâneo.
Neste artigo, o investigador em educação ambiental Júlio Conde aborda as linhas discursivas necessárias para tirar o véu da narrativa dominante da transição energética, reivindicando um questionamento das relações de produção e consumo que estruturam as sociedades contemporâneas no capitalismo de livre mercado.
Como é que são utilizados os símbolos da nossa pré-história hoje em dia? Que papel jogam os petróglifos na Galiza do século XXI? Através da análise de diferentes casos, Tre García aproxima-se dos usos do património arqueológico e as imagens pre-históricas como ferramentas de construção da identidade corporativa galega.
Em um contexto político em que tanto importa a 'narrativa', somos cada vez mais conscientes da relevância da forma do relato sobre o seu contido. Alberte Pagán analisa, em relação ao filme As bestas, como a essência autoritária do feito narrativo nos seduz sem passar polo filtro da razão.
A discapacidade tem sido utilizada para construir, no imaginário espanhol, um determinado sujeito rural; porém, não da mesma maneira com personagens espanholas e galegas. Neste último caso, a discapacidade é utilizada para caraterizar um indivíduo contrário à modernidade e o progresso, como assinala Helena Miguélez-Carballeira nesta sua análise comparada.
As obras de artistas pop como Andrés do Barro ou Los Tamara foram interpretadas pela crítica e pelo público como paralelas às produções mais interventivas ou politizadas. Porém, é possível fazer uma leitura daquelas músicas como sendo denúncias da realidade material da Galiza do tardofranquismo. David Miranda oferece esta nova interpretação à luz da terminologia de Sara Ahmed.
A corrente de produtos audiovisuais (de circulação galega, estatal e transnacional) que mostram um entorno rural galego violento não fez senão crescer nas últimas décadas. Porém, quanto há de realidade nessas estampas? O investigador en direito penitenciário e criminologia, David Castro Liñares, contrasta as políticas de representação associadas ao Galician Noir com os dados existentes a respeito da realidade criminal galega.
Costumeiramente, o espanholismo tem sido analisado como um discurso fundamentado no ódio. No entanto, talvez a estrutura afetiva que lhe serve de base seja outra. O politólogo Alexadre Pichel-Vázquez procura no amor os alicerces do espanholismo de Vox, analisando o papel atribuído à Galiza na construção desse amor.
Quais som as relaçons entre arquitetura galega contemporânea e o aparato ideológico que surgiu com o Estado das Autonomias? Da Cidade da Cultura à falida Casa da Historia projetada durante o Vazquismo corunhés, o historiador da arte Santiago Rodríguez Caramés analisa a relaçom entre ideologia, identidade e a arquitectura estelar patrocinada polo novo milénio na Galiza.











