Artigos
A Ánxela Lema París convida-nos, neste texto crítico, a revisar as identidades sexuais, sexualidades e orientações relacionais em que pensamos quando intentamos enquadrar uma voz poética e a aproveitar a ambiguidade como escapatória política às categorias limitantes da normatividade.
Neste texto, Pablo Pesado concebe a nação como um processo histórico em contínua construção. Critica tanto a abstração classista que dilui o nacional quanto as visões essencialistas que o encerram no passado. Propõe pensá-la a partir de Adorno: aberto ao futuro e à sua própria negação, mas contrário tanto à reificação identitária quanto à sua dissolução num proletariado abstrato.
As múltiplas crises contemporâneas são, segundo Pedro M. Rey Araújo, um reflexo do esgotamento secular do valor como forma dominante de riqueza social, e não do capitalismo. Portanto, o desenvolvimento histórico do capital, que poderia dominar o próprio planeta, cria também, pela primeira vez, as condições de possibilidade do comunismo para o bem.
Neste texto, a Ana Belén Feijoó reflexiona sobre as condições da incorporação de Maruja Mallo na arte galega a partir da sua negativa a identificar-se como tal e questiona os marcos com que a historiografia na Galiza costuma canonizar artistas que destacam primeiro no âmbito espanhol.
De uma perspectiva ecofeminista, o artigo critica a estratégia «Do prado ao prato» da UE, e defende a proposta alternativa para a transição agroalimentar desenvolvida pola Secretaria da Mulher do Sindicato Labrego Galego, centrada na igualdade de género e na perspetiva do cuidado.
Existe um paralelismo entre as escolhas relacionais das protagonistas desta tragicomédia e as possibilidades políticas para a Galiza? Por que Castelao não explicitou nunca o objetivo desta obra moralizante? O escritor Alberto Lema questiona e propõe uma nova leitura de uma das peças teatrais mais populares da nossa literatura.
O arqueólogo Andrés Currás analisa criticamente as diversas teorias sobre o chamado “feísmo” galego que têm surgido nas últimas décadas, nomeadamente as que o reinterpretam como expressão popular face a modelos impostos polas elites. Neste artigo, o autor propõe ainda uma leitura arqueológica que entende o feísmo como marca material do trauma causado pola modernidade capitalista no rural galego.
Como pode ser que o marxismo careça ainda de uma visão sólida do ser humano? Neste artigo, Daniel Barral reflexiona em torno aos entraves históricos da antropologia marxista e às vias actuais para o seu desatolamento.
Partindo dos estudos críticos do espaço de Henri Lefebvre, o artigo de Brais Freire analisa como a diáspora galega em Barakaldo transformou o bairro de Arteagabeitia num “espaço vivido” de resistência cultural e afetiva. A comunidade migrante galega, através da cooperação, da toponímia e da vida quotidiana, inscreveu a sua identidade na paisagem urbana basca, revelando o poder político do território como lugar de pertença e continuidade cultural.
Uma conquista dos movimentos pela justiça social ou uma ferramenta de controle ideológico nas mãos do sistema? O tipo penal de "delito de ódio" precisa de uma funda análise crítica, desde o seu fundamento ideológico e o contexto de violência que o legitima até as suas últimas consequências materiais.
O artigo de Núria Godón Martínez sobre 'Os días afogados' ilumina como o documentário de Souto e Avilés transforma imagens caseiras e memórias silenciadas em denúncia política e arquivo coletivo. Na sua análise a autora fala da tensão entre o progresso imposto e a perda irreparável das aldeias galegas submersas, expondo injustiças sociais e ambientais que ainda ecoam.
O artigo de Dani Palleiro e Inés Merayo continua o debate em curso sobre organização e modelos de militância no Caseto da Clara Corbelhe, propondo repensar a militância política na Galiza desde o anarquismo social, com perfis diversos, estruturas flexíveis e um modelo de militância dual para fortalecer organizações populares e duradouras











