2025 - 2026
Partindo da hipótese de que o feminismo galego tem relegado a questão do desejo de maternidade, Sheila Fernández Míguez propõe uma reflexão situada e focada nos condicionamentos de classe sobre a reprodução medicamente assistida. A partir de uma perspetiva contemporânea, o seu texto convida-nos a repensar a justiça reprodutiva na Galiza.
A investigadora Ariadna Cordal procura reconfigurar uma política da memória da violência ecossocial franquista utilizando o suporte do arquivo fotográfico do NO-DO. Através deste, e desde a ecocrítica e o ecofeminismo, pretende atender as histórias das comunidades rurais cujas vidas transformou a construção de barragens.
Embora os estudos sobre género e migração na Galiza tenham destacado a desestruturação familiar causada pelas grandes vagas migratórias para a América e a Europa na segunda metade do século XX, este fenómeno permanece sem uma análise específica. Neste artigo, Helena Miguélez Carballeira introduz o conceito feminista marxista de “fuga de cuidados” para iluminar as suas representações na cultura galega moderna e contemporânea.
A investigadora Amara García Adán expõe como o avanço das tecnologias de reconhecimento facial implica o controle da povoação por parte do Estado e das grandes corporações. Para reverter a degradação da participação política, propõe dotarmo-nos de uma soberania digital plena desde a Galiza.
Lois Búa, sob o nome artístico "Mourae", reivindica nste artigo o sincretismo, a contaminação cultural e as ruínas contemporâneas como motores para imaginar novas formas de galeguidade. Entre o folk horror, a memória popular e a cultura digital, Mourae defende uma tradição viva, indomável e aberta à reinvenção.
Raquel Crespo propón unha lectura crítica da liberdade vixiada que permite coñecer non só as súas complexidades técnicas senón tamén as consecuencias materiais, políticas e vitais que afectan as persoas condenadas por terrorismo sometidas a este réxime.
A Iria Murado situa as animais salvagens como indivíduos que devem ser moralmente consideradas devido à sua senciência e, em consequência, defende a necessidade de criar estratégias institucionais para a sua preservação, especialmente no casso de incêndios, em que os riscos derivam, em grande parte, de atividades humanas.
Em resposta ao artigo publicado polo Pablo Pesado no Caseto, Guillermo Queiro critica a concepção negativa da nação defendido por aquele e enfatiza a necessidade de enraizar a autodeterminação nacional na luta do proletariado galego.
A Ánxela Lema París convida-nos, neste texto crítico, a revisar as identidades sexuais, sexualidades e orientações relacionais em que pensamos quando intentamos enquadrar uma voz poética e a aproveitar a ambiguidade como escapatória política às categorias limitantes da normatividade.
Neste texto, Pablo Pesado concebe a nação como um processo histórico em contínua construção. Critica tanto a abstração classista que dilui o nacional quanto as visões essencialistas que o encerram no passado. Propõe pensá-la a partir de Adorno: aberto ao futuro e à sua própria negação, mas contrário tanto à reificação identitária quanto à sua dissolução num proletariado abstrato.
As múltiplas crises contemporâneas são, segundo Pedro M. Rey Araújo, um reflexo do esgotamento secular do valor como forma dominante de riqueza social, e não do capitalismo. Portanto, o desenvolvimento histórico do capital, que poderia dominar o próprio planeta, cria também, pela primeira vez, as condições de possibilidade do comunismo para o bem.
Neste texto, a Ana Belén Feijoó reflexiona sobre as condições da incorporação de Maruja Mallo na arte galega a partir da sua negativa a identificar-se como tal e questiona os marcos com que a historiografia na Galiza costuma canonizar artistas que destacam primeiro no âmbito espanhol.











