A história

Em 2021 nasceu o Espaço Clara Corbelhe como uma iniciativa autogerida, fruto da vontade coletiva de criar um lugar de encontro para a reflexão crítica e a socialização de saberes contra-hegemônicos. Desde o início, o projeto se caracterizou pola sua vocação transformadora e polo compromisso em fomentar debates estratégicos para a Galiza, afastando-se das lógicas institucionais convencionais. Ao longo de cinco anos, consolidou-se como uma referência cultural e intelectual, até que, em 2025, deu um passo decisivo ao se converter no Instituto Clara Corbelhe de Estudos Críticos Galegos, ampliando assim a sua missão e projeção publicas.

No âmbito editorial, o Espaço estruturou a sua produção em três linhas fundamentais: a revista monográfica anual Clara Corbelhe, o Anuário Clara Corbelhe de Produção Crítica Galega e a Coleção Clara Corbelhe de Ensaio Crítico Galego, esta última em colaboração com a editora Laiovento. O primeiro número da revista, lançado em dezembro de 2021 sob o título «Poder e colonialidade: Espanha na Galiza de hoje», estabeleceu uma fórmula que se repetiria em volumes posteriores: cinco artigos críticos articulados em torno do tema monográfico, uma conversa, uma entrevista narrativizada e um texto extenso denominado «Bastardia», voltado a abordar problemáticas estratégicas para a Galiza a partir de ângulos oblíquos ou pouco explorados. Nos anos seguintes, a revista discutiu questões como o campo intelectual galego, a crítica anti-extrativista sobre o território, os recursos materiais ou a cultura galega, bem como as potencialidades da noção de «autodeterminação funcional». A linha do Anuário, por sua vez, destacou-se por compilar os artigos previamente publicados na coleção digital O Caseto, garantindo assim a sua preservação e difusão. Já a Coleção de Ensaio Crítico Galego inaugurou-se em 2024 com a obra de Antom Santos, Terra a nossa! Discurso e identidade agrária na Galiza moderna (1875-1936), reforçando o compromisso do projeto com uma crítica rigorosa e situada.

Um espaço de colaboração aberto e independente

Desde a sua criação, o Espaço Clara Corbelhe concebeu a formação crítica como eixo central, apostando em processos coletivos de aprendizagem orientados à reflexão sobre a contemporaneidade galega. A sua atividade mais destacada nesse âmbito é a Jornada de Estudo Clara Corbelhe, encontro anual de um dia que combina conferências plenárias, painéis de debate e sessões de leitura guiada de textos estratégicos. Essa estrutura permitiu reunir investigadoras, militantes e agentes sociais em torno de problemáticas comuns, reforçando a vocação do projeto como espaço de pensamento situado e transformador. Paralelamente, o Espaço promoveu a apresentação das suas publicações em múltiplos pontos da Galiza, em cumplicidade com o tecido organizativo, o associativismo cultural, fundações, museus e a universidade. Após cinco anos de trajetória, em julho de 2025, o projeto deu um passo decisivo com a criação do Instituto Clara Corbelhe de Estudos Críticos Galegos, concebido para dar continuidade e expansão a esta tarefa.

O Instituto Clara Corbelhe de Estudos Críticos Galegos é um espaço de colaboração aberto e independente, sustentado pela energia coletiva das suas subscritoras, a quem chamamos «Caseteiras», recuperando e resignificando a figura das caseteiras ou camareiras do rural galego e evocando assim uma tradição de apoio mútuo e de resistência popular. Tornar-se Caseteira é, portanto, uma forma de integrar uma comunidade comprometida com a autonomia intelectual e com a construção de pensamento crítico galego. Existem três modalidades de subscrição anual: 20 euros, pensada para quem deseja apoiar de forma simbólica, recebendo a revista e a lâmina artística anuais; 60 euros, como contribuição de base que garante o acesso com desconto às demais publicações e o convite com jantar à Jornada de Estudo; e 100 euros, destinada a quem pode e deseja reforçar de modo especial a sustentabilidade do Instituto, fortalecendo a sua capacidade de ação.

Além do apoio económico, ser Caseteira implica a possibilidade de participar ativamente em todas as atividades do Instituto, organizadas por todo o território, assim como propor novas linhas de trabalho em sintonia com a sua missão. Fazer-se Caseteira do Instituto Clara Corbelhe de Estudos Críticos Galegos é apostar por uma comunidade viva de pensamento crítico, comprometida em transformar e enriquecer o horizonte cultural e político da Galiza.